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Leitura a vela
 


BRINDE A UM FELIZ (RE)ENCONTRO...

 

Noite de Natal. Sozinha!

Nada mais me ocorre agora senão lembrar do que de melhor me aconteceu nos últimos dias. Um encontro.

Uma velha amizade renasce. Ressurge de espaços ofuscados pelo tempo.

Um encontro ou reencontro por mais distante que seja, trás à flor da pele lembranças. Lembranças há muito guardadas no mais profundo reduto do ser.

Para mim, reencontrar uma amizade, faz ressurgir a adolescente que ainda mora em mim.

Mora porque ainda assim me vejo. Aquela garota desengonçada de outrora.

Aquela cabecinha sem juízo que não sabia bem o que queria.

Hoje, com mais maturidade, sem subterfúgios, firme em meus propósitos, posso dizer que sei aonde quero ir.

O tempo nos faz isso.

A idade, por muitos, considerada um carrasco, para mim é companheira fiel.

A ela devo a visão que hoje tenho.

Ah! Se as pessoas nascessem com essa maturidade!

Acredito que muitos atos insanos seriam evitados no mundo.

Inclusive os que eu cometi ao longo da vida.

E hoje brindo. Brindo e esse feliz encontro. Brindo ao meu amigo resgatado do tempo.

O mesmo tempo que o levou, o trouxe de volta.

Um brinde, Amigo velho!

Que nessa noite de tantos encontros pelo mundo afora, nós possamos reafirmar nossa amizade e não mais deixar esse velho e traiçoeiro amigo, o tempo, levá-la embora novamente.

 



Escrito por irisbp às 03h13
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BOA NOITE!

 

VOU DEIXAR AQUI UM POEMA DOS MAIS BELOS QUE JÁ CONHECI.

 

É DA MARAVILHOSA FLORBELA ESPANCA.

 

ESPERO QUE GOSTEM.

 

 

O meu impossível

Minh'alma ardente é uma fogueira acesa,
É um brasido enorme a crepitar!
Ânsia de procurar sem encontrar
A chama onde queimar uma incerteza!


Tudo é vago e incompleto! E o que mais pesa
É nada ser perfeito. É deslumbrar
A noite tormentosa até cegar,
E tudo ser em vão! Deus, que tristeza!...


Aos meus irmãos na dor já disse tudo
E não me compreenderam!... Vão e mudo
Foi tudo o que entendi e o que pressinto...


Mas se eu pudesse a mágoa que em mim chora
Contar, não a chorava como agora,
Irmãos, não a sentia como a sinto!...

 



Escrito por irisbp às 20h44
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O TEMPO

 

Podemos reclamar de tudo na vida, mas sem dúvida não podemos reclamar da justiça da qual o tempo se encarrega.

Reclamamos diariamente dos preços altos,

Das pessoas que não nos entendem

Das palavras vazias

 

Das paredes nuas de nossas vidas.

 

Mas do tempo...

 

As reclamações sobre o tempo são injustas.

 

Olhe agora para você... lá dentro de você...

 

Um dia você enganou?

Mentiu?

Deturpou palavras e ações?

 

Um dia você julgou-se melhor que os outros?

 

O que fez o tempo? Apenas passou e fez você ver que estava errado.

 

Então suas ações desbotaram-se com o tempo. Não foi?

 

Desbotaram como as roupas que um dia foram novas,

Cheirosas,

Ah, o tempo...

 

Esse velho e traiçoeiro amigo

 

Só ele é dono de tudo

 

Aproveite-o com boas ações... ame, não seja egoísta.

 

Não desbote juntamente com suas roupas que, de novas, agora são simplesmente DESBOTADAS.

 

 



Escrito por irisbp às 22h52
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BOM DIA!

 

DEPOIS DE ALGUM TEMPO DISTANTE DESSE ESPAÇO, VOLTO... FINALMENTE...

 

VOLTO, MAS COM PENSAMENTOS VAGOS... AINDA...

 

AS VOLTAS SÃO SEMPRE ASSIM PARA MIM. CHEIAS DE RECEIOS.

 

NESSA MANHÃ QUIS ESCREVER...

 

ESCREVER TÃO SOMENTE PARA REFLETIR UM POUCO SOBRE ALGO DO QUAL NINGUÉM ESCAPARÁ: A MORTE.

 

ESSA VELHA COMPANHEIRA... COMO DIZIAM OS POETAS DO ULTRA-ROMANTISMO...

 

AH, VELHA COMPANHEIRA...

 

PERDER ALGUÉM PELA DISTÂNCIA EM VIRTUDE DE UMA VIAGEM OU MESMO SEPARAÇÃO É COMPREENSÍVEL... SABE-SE ONDE A PESSOA ESTÁ, COMO ESTÁ, COM QUEM ESTÁ, MAS NA MORTE... É CRUEL.

 

AH, VELHA COMPANHEIRA...

 

POR QUE ÉS ASSIM???

 

CRUEL???

 

FATAL???

 

ETERNA???

 

MISTERIOSA???

 

AS PESSOAS QUE SE FORAM E AINDA SE VÃO... PARA ONDE???

 

COMO FICARÃO?

 

MEUS PENSAMENTOS AINDA VAGUEIAM SOBRE ESSE DESTINO.

 

AH, VELHA COMPANHEIRA!

 

UM DIA TEREI AS RESPOSTAS, MAS ATÉ ENTÃO, FICO A SENTIR FALTA E A DIVARGAR SOBRE ESSE ETERNO DESTINO QUE A TODOS A VIDA RESERVA...

 

UM ABRAÇO A TODOS...

 

IRIS

 



Escrito por irisbp às 11h08
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Vampiros
"Eu não acredito em gnomos ou duendes, mas vampiros existem. Fique ligado, eles podem estar numa sala de bate-papo virtual, no balcão de um bar, no estacionamento de um shopping. Vampiros e vampiras aproximam-se com uma conversa fiada, pedem seu telefone, ligam no outro dia, convidam para um cinema. Quando você menos espera, está entregando a eles seu rico pescocinho e mais. Este "mais" você vai acabar descobrindo o que é com o tempo.

Vampiros tratam você muito bem, têm muita cultura, presença de espírito e conhecimento da vida. Você fica certo que conheceu uma pessoa especial. Custa a se dar conta de que eles são vampiros, parecem gente. Até que começam a sugar você. Sugam todinho o seu amor, sugam sua confiança, sugam sua tolerância, sugam sua fé, sugam seu tempo, sugam suas ilusões. Vampiros deixam você murchinha, chupam até a última gota. Um belo dia você descobre que nunca recebeu nada em troca, que amou pelos dois, que foi sempre um ombro amigo, que sempre esteve à disposição, e sofreu tão solitariamente que hoje se encontra aí, mais carniça do que carne.

Esta é uma historinha de terror que se repete ano após ano, por séculos. Relações vampirescas: o morcegão surge com uma carinha de fome e cansaço, como se não tivesse dormido a noite toda, e você se oferece para uma conversa, um abraço, uma força. Aí ele se revitaliza e bate as asinhas. Acontece em São Paulo, Manaus, Recife, Florianópolis, em todo lugar, não só na Transilvânia. E ocorre também entre amigos, entre colegas de trabalho, entre familiares, não só nas relações de amor.

Doe sangue para hospitais. Dê seu sangue por um projeto de vida, por um sonho. Mas não doe para aqueles que sempre, sempre, sempre vão lhe pedir mais e lhe retribuir jamais."

Texto de Martha Medeiros
http://maisvoce.globo.com/mensagem.jsp?id=16527

Escrito por irisbp às 09h33
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Vida de trabalhador não é fácil, mas posso falar... vida de professor por ser uma há 25 anos.

Muitos momentos me marcaram nessa estrada, mas um que ficou impregnado como tatuagem aconteceu quando eu estudava.

Cursava Letras na UFRR.

Tinha (e ainda tenho) uma filha com 6 anos na época, hoje com 20 anos, quase 21. Não tinha com quem deixá-la. Trabalhava pela manhã e ela também estudava pela manhã, inclusive na mesma escola em que eu trabalhava.

À tarde ia à UFRR. Não tendo com quem deixá-la, várias vezes deixava-a sozinha na pequena casa em que morávamos.

Certo dia faltou energia elétrica na cidade. Peguei o ônibus, também raro, pois demorava cerca de uma hora para passar, e vim para casa. Chegando (meu coração ainda dói e a garganta aperta quando me lembro), estava ela com 6 anos de idade, sentadinha no meio da sala com uma vela acesa, lendo umas revistas.

O perigo que ela corria naquele momento me foi ofuscado pelo alívio de vê-la bem, pois na cabeça de uma mãe, passam muitas coisas quando percebem que os filhos podem estar em perigo.

Isso me ocorreu hoje na lembrança ao olhar para trás e ver o que construí. Não foi fácil, mas valeu a pena.

Hoje ela está com quase 21 anos e está perto de caminhar sozinha.

Espero que não enfrente as dificuldades que enfrentei para criá-la...e que possa dar aos seus filhos o que não pude dar a ela.

Que o mundo lhe seja mais justo...

Que a carga lhe seja mais suave...

E a pena mais branda...



Escrito por irisbp às 16h18
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AS PERDAS

AS PERDAS

 

São muitas as perdas da vida.

Cruéis...

Logram nossa paz.

E como lobo faminto, sugam nosso ser, nossa alma.

O vazio se expande e sem querer, ficamos como folhas ao vento.

 

Não há sensação pior do que a da perda.

Podemos sentir outras parecidas, mas de longe não são iguais...

 

Algo que incomoda.

Que nos deixa opacos, sem vida.

 

Quando possuímos algo, somos donos da situação.

Agimos como o pássaro que guia o bando.

 

Mas quando perdemos, nos tornamos o último da fila.

 

Nosso destino é guiado, não mais guia.

A fragilidade de nossas sensações nos assusta.

Sensações desgarradas, descontroladas.

 

Mas o ser humano é maior.

Sabe revidar e aos poucos renascer.

 

E esse renascer é mais forte...

Nos torna mais fortes porque temos vida

E vida é isso aí mesmo.

 

O pássaro se torna novamente o guia!

 



Escrito por irisbp às 21h44
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O ser humano tem muitos prazeres na vida. Pode-se dizer que o desejo de ser alguém, ser reconhecido por alguém é meta principal de uma pessoa que busca algo além do simples ato de nascer, viver e, um dia, morrer.

A satisfação varia de profissão para profissão.

Um médico tem prazer em ver levantar-se um paciente seu.

Uma lavadeira tem prazer em perceber que a roupa por ela lavada tornou-se atrativa, com aspecto de ser nova outra vez.

Uma cozinheira tem prazer ao perceber que o alimento por ela preparado fora desgustado com maior prazer. Um artista plástico delicia-se ao encontrar uma pessoa admirando suas obras.

Um professor, aí eu posso falar por experiência própria, pois exerço essa profissão há muito tempo, sente prazer ao encontrar um aluno ou ex-aluno e perceber que tudo que ele (professor) trabalhou para acontecer, realmente aconteceu.

Um aluno bem sucedido perpetua a obra do mestre.

Não falo aqui de grandes profissões, que realmente agradam, mas um aluno que não envereda por descaminhos sociais gratifica nossa obra. Ele pode ser balconista, merendeira, vigia, médico, engenheiro, qualquer profissão. Só de não entregar-se ao crime justifica o suor, o pó de giz, as alergias.

Tenho vivido inúmeras situações que, às vezes, me deixaram entristecida, mas em sua grande maioria, pude regalar-me com os resultados.

Aí, acreditem, a satisfação não se compara à do médico, à da lavadeira, à da cozinheira, à do artista plástico, uma vez que o professor trabalha preventivamente para que aquele serzinho se torne um verdadeiro cidadão e possa mostrar a que veio.

Nossa luta é diária e constante. Nosso suor vale ouro. Vale VIDA DE SERES HUMANOS.

 

 

 



Escrito por irisbp às 19h34
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Leitura a vela

 

Não poderia começar esse diário sem me justificar quanto ao nome do mesmo: “Leitura a vela”. Isso me ocorreu porque faz parte da minha vida. Algo que se tornou responsável pelo que sou hoje. Por tudo que me tornei ao longo do tempo.

Refiro-me ao hábito da leitura. Na minha infância, em Boa Vista provinciana, morava com meus irmãos numa casa comprada por meus pais que nos deixaram aqui e voltaram para trabalhar no interior.

Naquele tempo, faltava muita energia elétrica. Às vezes ficávamos horas e horas no escuro. Isso acontecia quase todas as noites. Não tínhamos TV, mas quando podíamos, dávamos um jeitinho e íamos assistir na casa da vizinha as novelas, os programas que eram gravados e dias ou semanas depois reproduzidos aqui.

E na falta da energia elétrica, a situação se tornava ainda mais difícil para mim, pois gostava de ler. Minhas leituras circundavam por entre livros (As aventuras de Robinson Crusoé, Ivanhoé, Gulliver, As aventuras de Tibicuera, Vinte mil léguas submarinas etc) que pegava na biblioteca da escola: o eterno Colégio São José onde estudava, e do qual ainda recordo com nostalgia quando por lá passo, e umas revistas antigas de fotonovelas... ah, que saudades!

E o meu drama então era o seguinte: como ler sem energia elétrica?

A solução foi ler à luz de vela. Ali ficava horas e a energia elétrica já não fazia falta. Perdia-me entre as páginas amareladas das fotonovelas já lidas e relidas muitas vezes. A fantasia não perdia seu vigor. Era como se estivesse viajando... sonhos... realizações... amores impossíveis...

E assim tornei-me o que hoje sou: uma viciada em livros.

Por ironia, devo agradecer ás inúmeras horas sem energia elétrica, pois foi fator primordial por meu amor aos livros.

Escrito por irisbp às 20h00
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ATÉ AS FORMIGAS DESISTEM

 

Pequeninas, mas corajosas

Elas enfrentam a vida

De um jeito belo.

São ágeis

São lutadoras

 

Mas não são de plástico

Têm vida e sofrem

Persistentes, quando buscam sobreviver

Inteligentes, para fugir do perigo.

 

Mas, coitadas

São pequenas

Mínimas

Ínfimas

Diante de forças maiores

 

Vivas, quando sabem reconhecer

E desistem

Da busca por algo impossível

 

Da luta contra o irreconhecível

 

Do que é maior

Do que é mais forte

 

E nesse momento,

Não adianta a força interior que têm

A coragem

A agilidade

A persistência

 

Desistem, mas partem

Em busca de outra luta

De outra busca talvez impossível

 

Formigas desistem

Porque são inteligentes

Sabem reconhecer

Quando são vencidas

 

E correm

E buscam

E lutam

 

Um dia, cansadas,

Desistem

Ou se afogam na chuva

Ou num copo d’água

Ou encontram um sapato amigo

E assim, sua brava luta chega ao fim.

 

Iris

 

 

 



Escrito por irisbp às 16h26
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